quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Copom corta Selic pela 3º vez com desaquecimento global

"O Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual pela terceira reunião consecutiva com receios de que o desaquecimento na economia mundial possa afetar a demanda doméstica.
O Comitê de Política Monetária, liderado pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, decidiu hoje por unanimidade reduzir a taxa Selic para 11 por cento, como previsto por 64 analistas em pesquisa Bloomberg. Só um analista previu um corte diferente, de 1 ponto porcentual.
`O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012`, disse o BC no comunicado que acompanhou a decisão.
O Brasil tem sido mais proativo que outros países em reduzir a taxa básica de juros como resposta à crise da dívida na Europa. Tombini alertou que uma “substancial deterioração”
na economia global levou a autoridade monetária a cortar a taxa em agosto pela primeira vez em dois anos. Desde então, os bancos centrais da Europa, Austrália e Israel seguiram a decisão.
Operadores no Brasil acreditam que Tombini reduza a taxa Selic para 9,25 por cento até julho de 2012, de acordo com dados da Bloomberg baseados na curva dos contratos de juros futuros.
`A crise externa está mais prolongada e os dados da economia doméstica estão desapontando e vindo abaixo das expectativas, disse Solange Srour, economista-chefe do BNY Mellon ARX Investimentos, em entrevista por telefone do Rio de Janeiro antes da decisão do Copom. “O Brasil começou a agir antes de a crise chegar ao seu pico em setembro, mas o discurso de outros bancos centrais está indo agora na mesma direção.´

                      Ajustes moderados

Na semana passada, Tombini desestimulou apostas de que o País poderia acelerar o corte da taxa, dizendo que a crise econômica global ainda não tinha levado a um “evento extremo.”
Ele concluiu que “ajustes moderados” seriam suficientes para lidar com a situação prevista pelo Banco Central.
No início deste mês, o governo retirou a maioria das restrições de crédito impostas em dezembro do ano passado em empréstimos pessoais, de automóveis e em operações de crédito consignado.
Mais de US$ 3 trilhões foram eliminados do mercado global de ações este mês, enquanto as taxas para dívida soberana da Espanha e da Itália alcançaram máximas históricas e um fracassado leilão de títulos na Alemanha sinalizou que a crise se estendeu para as principais nações da Europa.
Os economistas que participam da pesquisa semanal Focus do Banco Central reduziram a expectativa para o crescimento do PIB este ano para 3,10 por cento na última medição do BC. No final de agosto, antes do primeiro corte da Selic, a expectativa era de um crescimento de 3,79 por cento. No ano passado, o PIB brasileiro teve alta de 7,5 por cento, maior avanço em mais de duas décadas."

Fonte: Bloomberg News

Nenhum comentário:

Postar um comentário